Trampolim.
Durante muito tempo, fui trampolim. Avançavam a armação, entravam na cama elástica, impulsionavam-se no bastidor, e saltavam alto nas minhas molas. Aquilo rangia-me, e eu avisava, mas entretidos nas alturas, galgavam, enquanto sentia estalar a estrutura. Aos quarenta, tive uma epifania: utilizar as rodas. Bastou desbloqueá-las e deixar-me descer ribanceira abaixo. É verdade que se estatelaram e eu fiquei empenada. Mas agora não quero outra coisa, sempre que tentam saltar-me, rodo.

