Banalidade do mal.
À saída do documentário sobre a Hannah Arendt:
- Não sei como é que ela teve coragem de dizer que aqueles Nazis não eram monstros mentalmente doentes mas apenas burocratas vazios de pensamento que desejavam ascender profissionalmente. Eles sabiam que estavam a matar seres humanos em série!
- Não sei como é que tens coragem de andar com roupas e telemóveis feitos por crianças em condições desumanas só para exibicionismo social. Tu sabes que estás a escravizar seres humanos em série!
- E alguns alemães ainda podiam ter a desculpa de não poderem desertar, com medo da morte. A tua, qual é?
A paixão.
Para encontrar um sentido de vida, que nos faça esquecer a nossa mortalidade e nos abstraia das misérias do quotidiano, podemos escolher caminhos.
O da contemplação, que é a via do estudo e estudar-se. Trabalhar o espírito. Reflectir, tentar descobrir a verdade e aprofundar o pensamento abstracto. Pensar no ser enquanto ser. “O otium permite-nos fazer um exame de consciência, estudar, entregar-nos a diversos exercícios espirituais, praticar a virtude, e também aproveitar o tempo disponível. (…) um período de reconstrução de si mesmo e da sua conexão com o mundo.” Séneca, em Da Brevidade da vida.
O da acção, um envolvimento activo numa causa, que pode ser a liberdade, a humanidade, a igualdade, a justiça. “Toda a espécie de envolvimento activo nos assuntos deste mundo.” Hannah Arendt, em A Condição humana.
E o da distração e da transgressão: a da ardência, da embriaguez, da desordem, da diversão, da boémia, do excesso. A de andar a passear, à deriva."Para o perfeito Flâneur, para o observador apaixonado, é um imenso júbilo fixar residência no numeroso, no ondulante, no movimento, no fugidio e no infinito. Estar fora de casa, e contudo sentir-se em casa onde quer que se encontre; ver o mundo, estar no centro do mundo e permanecer oculto no mundo, eis alguns dos pequenos prazeres desses espíritos independentes, apaixonados, imparciais, que a linguagem não pode definir senão toscamente." Baudelaire, em O pintor da vida moderna.
A paixão empilha-os todos. É uma ideia, uma causa, que nos impele a contemplar, agir, cooperar, arder e andar à deriva. Absorve todos os sentidos, a vida toda.
Ou, como diria Musil,
“A paixão é o estado no qual todos os sentimentos e ideias se encontram no mesmo espírito.”, em O homem sem qualidades.
Deve ser por isso que o amor é “o objectivo último de quase todas as aspirações humanas”, nas palavras de Schopenhauer.
E será também por isso que dá origem aos maiores sofrimentos.
Quando acaba um amor, não é a pessoa que se perde. É o sentido da nossa existência.
- Deleuze
- Hannah Arendt
- Sócrates
- Riqueza
- Amor
- Código-Fonte
- Roland Barthes
- Max Stirner
- Arte
- Sexo
- Escritor
- José Bragança de Miranda
- Nietzsche
- Platão
- Feminismo
- Séneca
- Godard
- Filosofia
- Redes Sociais
- Hierarquias
- Autonomia
- Blanchot
- Guattari
- Amizade
- Peter Sloterdijk
- Punk
- Albert Cossery
- Tecnologia
- Descartes
- Schopenhauer
- Instinto Maternal
- Crítica
- Desobediência
- Virginie Despentes
- Vigilância
- Discurso Oculto
- Cesare Pavese
- Turismo
- Questionário de Proust
- Exaustão
- Baudelaire
- Dor
- Humanismo
- Imagem
- Loucura
- Espectros
- Hipsters
- Modéstia
- Imagens de Pensamento
- Victor Torpedo
- Luxo
- Indizível
- Lacan
- Kafka
- Opinião
- Existencialismo
- Ficção
- Casamento
- Música
- Dinheiro
- Cinema
- Hipócrates
- Isolamento
- Seriedade
- Originalidade
- Stirner
- Sonhos
- Misoginia
- Walter Benjamin
- Resistência
- Alexander R. Galloway
- Natália Correia
- James Scott
- Hipervisibilidade
- Desassossego
- Mudança
- Desigualdade
- Tarantino
- Parkinsons
- Solidão
- Georges Canguilhem
- Derrida
- Infância
- Transversalidade
- Tens de mudar de vida
- Felicidade
- Egocentrismo
- Funeral
- Teorias da Conspiração
- Doença
- Disciplina
- Coaching
- Sucesso
- Robert Musil
- Sobre mim
- Controlo
- Marx
- Foucault
- Deputados
- Paixão