Fabiana Lopes Coelho Fabiana Lopes Coelho

Introdução

Antes de mais, gostaria de dizer-vos que vim aqui falar bem de todos, e criticar ninguém. Pretendo apenas apreciá-los, etilizar com os conceitos, e, se tiver sorte, desconstruir e criar outros. Se pensar diferentemente, acrescentarei tão somente um ponto, outra perspetiva, e não farei uma conta de subtração às ideias dos outros. Procuro uma versão que tudo acolhe – e sabem bem o que acontece quando nos dão abrigo.

Também não desejo demonstrar inteligência ou impressionar. Venho apenas para a festa, dançar com as imagens, brindar aos encontros e, se necessário, curar a ressaca dos excessos no dia seguinte. Portanto, o mais importante será evitar os fura-festas, os sem potência de criação, os que encerram tudo em caixas, e, colocando-se a um canto, criticam os movimentos dos dançantes, sem alguma vez conseguirem dar um passo de Twist. Dizem que as roupas não são adequadas, que deveríamos dançar mais depressa ou devagar, e que os gestos são demasiado tímidos ou exuberantes. Acontece que as danças tímidas são-no maravilhosamente, e as exuberantes também. O que interessa é ir para a pista, abandonar os recantos escuros dos encerramentos e envolver-se em todas as intensidades da luz. E se um dia o corpo deixar de mexer ou emperrar-se, dança-se como um robot. Ou inventam-se danças ciborgues e organizam-se outras festas. Porque as há infinitas. Basta ter curiosidade e perguntar: onde e com quem posso dançar?

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Na crítica, concordo sempre.

Sempre que me fazem uma crítica, apetece-me dizer: "Concordo, concordo. Sigamos em frente". As críticas nunca acrescentam nada. Não têm poder de transformação. Quem critica apenas está a exorcizar algum incómodo. É até um pouco ingénuo achar-se que a crítica pode ser ponto de partida para o novo. É apenas o explanar de uma frustração que pretende disciplinar o outro. "Estás errado. Eu estou certo. Deves comportar-te assim.", que é o mesmo que dizer: " Deves comportar-te da forma que eu considero correcta e não da forma que tu queres". Quando as pessoas não pretendem estabelecer hierarquias de pensamento, apenas dizem "Eu não gosto disso. Não concordo com aquilo". Mas abstêm-se de dizer "Não devias ter feito isso. Estás errado se fizeres aquilo". Quando critico, quero que o outro mude. Acuso-o de não prosseguir os meus interesses.
Outra coisa bem diferente é a opinião. "Eu acho isto. Eu não penso assim. Sobre isso, tenho isto a dizer." Ao contrário da crítica, que encerra, a opinião é fecunda. Tem uma potência transformadora na visualização de novas formas de pensar. Depois, o outro fará o que quiser com ela. Mas já ficou com mais uma. Abriu-se uma nova possibilidade.

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